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Trabalho de prevenção ao suicídio só acontece no PS

Faltam psicólogos nas unidades de saúde

Continuamos a falar sobre a prevenção ao suicídio neste que é o mês da campanha Setembro Amarelo, onde o tema é amplamente debatido. Na reportagem anterior mostramos os números alarmantes de pessoas que já tentaram suicídio. A conclusão é que faltam psicólogos, profissionais capacitados para atender a demanda que pede socorro quando chega às unidades de saúde.

O Setembro Amarelo só começou e a campanha alerta sobre o crescente número de pessoas que já pensaram ou tentaram por fim à própria vida. A figura do psicólogo é muito importante nesses casos por que ele mostra à pessoa fragilizada, que existem outras formas de lidar com o problema, com a dor, e que a morte não é a solução.

As unidades de saúde tornam-se porta de entrada para essas vítimas, que em muitos casos chegam com marcas de automutilação, depressão severa, entre outros sinais evidentes.

O Pronto Socorro é a única unidade de saúde que trabalha com a prevenção de suicídio e tem um núcleo específico pra isso. Mas a equipe de psicólogos que atua em regime de plantão não consegue atender a todos que precisam de ajuda.

Como informamos na reportagem anterior sobre o tema, as Unidades de Pronto atendimento de Rio Branco tem registrado em média por mês, 50 entradas por tentativa de suicídio. Ainda não existe estatística das unidades básicas de saúde. Mas só pela demanda que chega as UPA'S se percebe a necessidade urgente de contratação de psicólogos pra ajudar a conter esse fenômeno.

Na capital, existem apenas 5 psicólogos contratados pela prefeitura para trabalhar em unidades básicas de saúde. Mas nem todos atendem ao público diretamente, por que estão em departamentos administrativos.

"A gente percebe que há uma sobrecarga da demanda da comunidade, da população na procura de atendimento e que não tem psicólogos suficientes no serviço público de saúde. O psicólogo, ele é o profissional qualificado pra atender essa demanda, ter a escuta qualificada no acolhimento e compreensão, sem esse olhar de julgar o outro", explica a membro do Conselho de Psicologia do Acre, Maiane Brito.

O Conselho de psicologia do Acre defende a implantação de Rede de Atenção Psicossocial RAPS nos municípios do Estado. Atualmente apenas Cruzeiro do Sul dispõe do serviço. A modalidade de atendimento, segundo o conselho, abriga de forma plena, os pacientes em geral, com problemas psicológicos.

"O funcionamento é de 24 horas com profissionais qualificados na escuta e acolhimento diário. Onde o usuário do serviço tem vínculo, sabendo que ali vai funcionar 24 horas e que ele vai encontrar uma assistência e uma e um acolhimento psicológico", explica.

O poder público precisa abrir os olhos à prevenção dos suicídios. Pra reforçar essa necessidade, repetimos outra informação: a taxa de suicídios em Rio Branco e o dobro da nacional. No Brasil, a taxa é de até seis óbitos por suicídio para 100 mil habitantes.

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