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Sem infraestrutura, catraieiros atravessam diversas crises

Falta de escadas e estrutura para aportar afastam clientes

Com tantas pontes em Rio Branco, ficou difícil para uma das profissões mais antigas de cidade se manter. O número de clientes nas catraias é cada vez menor. A travessia pelo Rio Acre custa R$ 1,50, mas tem muito cliente que abandonou o transporte pelo desconforto e com medo de acidentes.

E esse receio não é à toa. Passamos por 4 portos na Capital e descobrimos que o descaso do poder público pode por fim à profissão e ao transporte mais conhecido do acriano.

Vamos começar pelo porto da catraia entre os bairros Aeroporto Velho e o 15. A escada está em péssimo estado. Onde as tábuas caíram foi feita uma emenda. Os corrimões oferecem mais risco de queda ainda e parte da escada caiu e está segura porque chegou à lateral do barranco.

Para não perder os clientes, o catraieiro Afonso Rodrigues leva no barco: martelo, prego e serrote. É ele quem comprou a madeira e trocou as tábuas podres que colocavam em risco os clientes. “A gente já ganha pouco e ainda tem que gastar para comprar madeira. Um serviço que a prefeitura deveria fazer”, reclamou.

No porto da catraia mais à frente, também no Aeroporto Velho com a outra ponta no bairro Cidade Nova, a escada foi construída até a metade do barranco. A parte mais perigosa não tem proteção alguma para quem for pegar a embarcação. O passageiro tem que colocar o pé no barro. Do lado da Cidade Nova, a coisa se repete: a escada acaba de repente e nos dois pontos o mato é um risco a mais para quem usa a catraia.

O porto da catraia mais perigoso fica no bairro da Base. Simplesmente não existe escada. Quem precisa atravessar da Cidade Nova para o centro de Rio Branco tem que aproveitar que o catraieiro Raimundo Nonato fez uma escada no barro com a enxada, o que ainda não deixa de ser um risco para quem precisa do serviço. “Muita gente nem vem mais aqui por causa das condições. Várias pessoas já caíram e se machucaram nesse local”, falou.

O Nonato disse ainda que vem perdendo cliente a cada dia com a falta da escada e de um porto seguro. “Quando chove eu fico em casa porque ninguém se arrisca a subir ou descer o barranco. Hoje não consigo fazer R$ 500 no mês como catraieiro”, revelou.

A catraia que fica no mercado Elias Mansour, interligando com o bairro Seis de Agosto é a mais movimentada. O Mercado da 6 que também é uma rodoviária, ajuda a garantir o movimento da catraia. Do lado do Segundo Distrito, a escada aparentemente não tem problema. Já a que fica no mercado tem poucos metros e, para pegar a embarcação, a pessoa precisa enfrentar o mato e o barro; e, quando chove, tem que enfrentar a lama.

O local de embarque não tem proteção alguma. O catraieiro vai se ajustando de acordo com o movimento do rio. Tem ainda uma grande quantidade de lixo que ajuda a montar o cenário de descaso do poder público.

A prefeitura, através da assessoria de impressa, informou que a secretaria de obras vai até os locais para averiguar.

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