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Governo anuncia concurso para professores indígenas

Edital do concurso será publicado em novembro

Um novo marco rumo à valorização da Educação Indígena no Acre começa agora com o anúncio de concurso público para professores indígenas nos municípios mais distantes da Capital, sobretudo os localizados na região do Vale do Purus e do Vale do Juruá.

O edital, com as regras do certame, será divulgado já em novembro próximo e faz parte de uma série de compromissos firmados pela administração do governador Tião Viana, por meio da Secretaria de Estado de Educação e Esporte (SEE), para valorizar o ensino e a aprendizagem nas escolas do interior do Estado.

O novo concurso é para contratação efetiva e foi anunciado pelo próprio secretário de Educação, Marco Antônio Brandão, em visita de três dias a Santa Rosa do Purus, Jordão, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo, localidades de população predominantemente indígena e para as quais o Governo do Estado vem reforçando seus programas de infraestrutura, visando o bem-estar social dessas comunidades e o crescimento regional.

“É o primeiro concurso público para professores indígenas em 20 anos, com o edital sendo lançado já em novembro próximo”, comemora Brandão. “O concurso faz parte de um tratamento especial que estamos prestando à comunidade interiorana, que já está podendo desfrutar também outros benefícios igualmente importantes para as pessoas.”

Ele se refere à climatização das escolas, com a instalação de aparelhos de ar-condicionado também nos estabelecimentos do interior, e das reformas de salas de aula, contemplando-as com troca de telhados, novas pinturas e revitalização de outros espaços.

Para o assessor pedagógico João Domingos Kaxinawá, que atua em Santa Rosa do Purus, o concurso elaborado pelo governo do Estado é muito mais que a valorização do docente indígena.

“É uma oportunidade grandiosa de podermos contar com professores compromissados com nossas aldeias e com nossa gente”, afirma, lembrando que o grande gargalo hoje é o desinteresse da maioria dos professores provisórios pela sala de aula indígena.

Já para o professor Alexandre Arara, de Porto Walter, o concurso será a garantia da tão sonhada estabilidade e da fixação do professor indígena nas salas de aula.

“É algo que vínhamos esperando havia muitos anos”, lembra o educador, que faz parte da etnia Arara, a única existente em Porto Walter, ao contrário das demais localidades na região, onde o pluralismo reina.
Em Jordão, o vereador Fernando Barbosa Siã Kaxinawá também elogiou o certame. “Sem dúvida, trará dignidade e mais respeito para nosso povo.”

De acordo com a Comissão Pró-Índio do Acre, no estado vivem pelo menos 17 mil indígenas, em cerca de 200 aldeias distribuídas em 36 terras reconhecidas. A área estimada de onde eles estão é de 2.439.982 hectares, o que equivale a 16% da extensão do Estado.

Meta é descentralizar recursos e incentivar a merenda regional

Um novo modelo de gestão para a Educação Indígena começa a se delinear no Acre, encabeçado pela própria Secretaria de Estado de Educação e Esporte (SEE). E dois aspectos fundamentais dessa mudança chamam atenção pela forma como vão melhorar o sistema.

A primeira delas é a criação de cooperativas tocadas pelos próprios indígenas na área da merenda escolar. Banana, melancia e amendoim, por exemplo, podem ser cultivadas sistematicamente para atender as escolas indígenas.

O outro fator é descentralizar os recursos originários do governo federal e de outras instituições para o povo indígena. “A ideia é que eles possam construir a escola de acordo com a própria realidade, já que os recursos virão direto para essas populações”, frisa o secretário Marco Brandão.

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