| Dindim Neles |
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| Adaílson Oliveira |
| Seg, 23 de Novembro de 2009 14:30 |
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No Nordeste do Brasil, quando alguém fala dindim, é pedindo um refresco, esse saquinho de gelo com suco que o acreano tanto consome. Na gíria mais geral, dindim é dinheiro, grana. Agora o acreano tem outra classificação para a palavra dindin, desta vez com D maiúsculo. Esse é o nome do novo prefeito de Feijó, escolhido neste domingo (22) numa eleição inédita no Estado. O Tribunal Regional Eleitoral cassou o ex-prefeito Juarez Leitão por compra de votos, e, determinou um novo pleito, saindo vencedor o seu Dindim. A eleição da representação popular do R$, não é só uma resposta de que a Frente Popular pode ser derrotada nas urnas, é mais do que isso, Dindim deve ser encarado como uma resposta dada pelo Tribunal Regional Eleitoral á uma prática comum no nosso Estado: a compra de votos. Quando assisto ás propagandas do Judiciário sobre voto ético; para não negociar o voto; que o voto é uma arma do povo, eu fico pensando se a Justiça Eleitoral parece estar numa galáxia e nos em outra, e bem distante. De que adianta pedir que eu vote correto e a Justiça não dar uma resposta rápida aos crimes eleitorais, se a cada eleição o que se vê é a formação das famosas listas, e os votos comprados a "cinquentinha". A panacéia da justiça eleitoral não se parece com a realidade do brasileiro. A compra de votos fica mais profissional a cada eleição. Tente lançar, por exemplo, como candidato, um líder comunitário que tenha relevantes serviços á comunidade. Por mais querido e respeitado que seja não vai conseguir votos suficientes para se eleger. Ele não terá forças para vencer os "esquemas" dos candidatos mais fortes financeiramente. Isso mostra que não existe vontade do povo. A eleição termina sendo manipulada por quem tem dindim, com letra minúscula. Dos 5 prefeitos que foram julgados por compra de votos no Acre, nos últimos meses, dois conseguiram se safar. E olha que um deles, tinha-se prova suficiente para lhe tirar a cadeira. Os outros 3 perderam o cargo, mas um continua até hoje brigando na Justiça. Uma nova eleição já foi marcada duas vezes em Sena Madureira e por outras duas vezes o próprio judiciário cancelou. São os famosos recursos que estão sempre correndo na frente da Justiça. Quiçá o Dindim fosse um exemplo para a Justiça Eleitoral, para o eleitor e para os candidatos. Que a qualquer indício de compra de votos, o político ficasse impedido de assumir. Os processos deveriam ganhar mais celeridade, a demora trás prejuízo á população, que elegeu um impostor da urna. Punir é sempre um bom exemplo, mostra a existência do Estado. De que adianta se gabar da urna eletrônica, da rapidez dos pleitos se ainda não se conseguiu imprimir a verdadeira vontade do povo. Não podemos deixar o dindin, letra minúscula ser maior que a decisão de uma comunidade. Não está valendo a pena se gastar tanto dindim (letra minúscula), nas eleições se a escolha vem de campanhas fraudulentas, onde políticos sujos se aproveitam da miséria incentivada por ele mesmo para se manter no poder. Não adianta colocar a culpa no eleitor, com frase feitas: "porque se vendeu?". As pessoas mais carentes, na maioria das vezes, não têm muita informação, recebe o dindin (letra minúscula) do crápula porque não tem outra saída, está precisando. Senhores: Magistrados, Promotores e Procuradores de Justiça, não é difícil descobrir as listas de pagamentos dos votos, cadê o serviço de inteligência, é só se infiltrar nas camadas mais pobres e chegar aos que bancam a falsa eleição. Descobertos, a Justiça Eleitoral deve entrar em ação, mas não em passos de preguiça, e sim com rapidez e energia para estrangular qualquer movimento que vá de encontro á vontade do povo. |
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