Quinta-Feira, 24 de Outubro de 2019

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Conheça rotina de quem está no Parque de Exposições

100 boxes estão prontos para receber os desalojados

Em julho do ano passado, o Parque de Exposições Marechal Castelo Branco recebeu milhares de pessoas para mais uma edição da maior feira agropecuária do estado, a Expoacre. Sete meses depois, a situação é completamente inversa.

No último fim de semana, o rio Acre encheu além da conta e ultrapassou a cota de transbordamento na Capital. Com o nível acima dos 14 metros, vários bairros alagaram e algumas famílias precisaram sair de casa.

Aquelas que não tinham pra onde ir foram levadas ao local mais tradicional quando o assunto é enchente. Uma estrutura está montada para receber os desabrigados. O lugar conta com unidade de saúde, policiamento e atividades de lazer.

E foi jogando bola em um dos galpões que encontramos o José Fábio. O menino de sete anos de idade estava animado, o time dele ganhava e mesmo assim corria de um lado para o outro para evitar e também fazer gol. Ele disse que tinha feito dois, mas não estava satisfeito e queria ampliar a vantagem.

Para diminuir o tédio, principalmente dos mais jovens, a secretaria municipal de Esporte e Lazer desenvolve uma série de atividades recreativas. Nem os animais ficaram de fora. Agentes do centro de zoonoses são responsáveis pelo acolhimento e vacinação.

Os móveis que chegam nas caçambas são deixados em outro galpão. Além da lona de proteção, os pertences são devidamente identificados e o acesso aos objetos é feito somente pelo proprietário e ainda com a presença de fiscais.

100 boxes estão prontos para receber os desalojados. Pouco mais de 50 já estavam ocupados. E foi em um deles que encontramos seu Francisco Ferreira. Ele é morador do bairro Cadeia Velha. Pela primeira vez, o homem decidiu ir para o parque de exposições.

“Tenho sido bem tratado, tem banheiro e água para beber”, afirma o roçador. Por dia, os desabrigados têm direito a três refeições. Além disso, existem regras para a convivência ser a mais harmoniosa possível. Entre elas, o volume da televisão não pode ser alto e às 22h, a entrada e saída de pessoas é proibida, salvo com autorização da administração do parque.

E se depender das condições climáticas, mais pessoas podem ser trazidas ao parque de exposições. A previsão do tempo para os próximos dias é de chuva e a tendência é que o nível do rio Acre continue em elevação. Por precaução, mais 36 boxes estão sendo construídos.
 
Notícia que a dona Maria das Graças Costa não gostaria de ouvir. Alojada neste espaço de 9 metros quadrados desde o último domingo, a mulher tem apenas uma torcida. “Quero que o rio baixe logo”, pede.

E mais que isso, só a tão sonhada residência própria para acabar com o pesadelo chamado alagação. “Pago aluguel desde que sai da casa dos meus pais. Tenho vontade de ganhar minha casa. Colocar meus três filhos dentro e viver melhor”, enfatizou a dona de casa.

 

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