Há quase três meses expulsas, famílias vivem em estado de miséria PDF Imprimir E-mail
Fabio Pontes, do Jornal A Gazeta   
Qua, 30 de Setembro de 2009 00:00
Famílias estão vivendo provisoriamente em uma estreita faixa de terra às margens de uma rua do bairro Areal

Famílias aguardam auxílio de alguma instituição para serem removidas (Foto: Diego Gurgel/A Gazeta)
Famílias aguardam auxílio de alguma instituição para serem removidas (Foto: Diego Gurgel/A Gazeta)

No último dia 5 de agosto mais de 300 famílias foram expulsas de uma área de terra no bairro Areal, no Segundo Distrito. Pessoas que moravam em barracos construídos com pedaços de papelão e lona foram deixadas na beira da rua. Quase três meses depois, é assim que 13 delas continuam a viver. Sem nenhuma condição digna de moradia, crianças e adultos precisam lidar com todo tipo de dificuldade para ter um pedaço de chão.

As famílias vivem provisoriamente em uma estreita faixa de terra às margens de uma rua de barro, localizada em frente ao terreno de onde foram obrigadas a sair. As condições de vida continuam iguais ou piores de antes do despejo. As “casas” foram construídas tendo o chão como piso. Durante o período de estiagem sofre-se com as altas temperaturas, já que os barracos foram erguidos de forma precária.

“Nossa preocupação é que com a chegada do inverno nós iremos perder o que nos restou. Quando chove a água invade todo o interior, molhando nossos móveis”, diz o carpinteiro Francisco Martins. Ele e a esposa se revezam na sentinela da casa. Enquanto a mulher arruma algum serviço como diarista, ele vigia a pequena moradia para evitar que seus bens sejam roubados.

Segurança é a coisa que eles menos dispõem. “A polícia só vem aqui para descer a porrada na gente”, comenta. Além de sofrerem com a violência, os sem-teto precisam conviver com os animais peçonhentos que vez por outra costumam visitá-los. “Na semana passada uma cobra apareceu”, diz Martins, que mesmo com todas as dificuldades e miséria em que vive ainda consegue puxar uma brincadeira: “À noite os mosquitos quase nos levam com eles”.

As crianças são as que mais sofrem em meio a todos esses problemas. Quando não chove, a poeira provoca todo tipo de doenças respiratórias. “Lá em casa todos os meus filhos estão gripados”, diz Carlinda Costa, mãe de cinco crianças.  Quase em frente ao seu barraco fica a caixa d’água onde ela armazena o liquido usado no preparo dos alimentos, lavar as roupas e tomar banho.

Mas a água não é apropriada nem mesmo para o consumo de animais, tão grande é a insalubridade. “As roupas de brancas ficam amarelas”. Já os outros moradores precisam andar mais de mil metros para retirar água de um açude próximo à área. “Depois de nos expulsarem, os policiais voltaram aqui e destruíram o único poço que nós tínhamos de onde tirávamos água potável”, afirma Maria Raimunda de Oliveira.

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Quando a reportagem chegou ao local, ela preparava um espaço apropriado para colocar o que sobrou de uma antiga geladeira, para ser usada como uma lavanderia coletiva. Para não ficarem no escuro, os posseiros fizeram um “gato” a partir da fiação que passa próxima ao terreno. Para complicar ainda mais a situação destas famílias, o proprietário da estreita faixa de terra em que estão ameaça expulsá-los do local.    

Com apenas 19 anos, a diarista Rosângela Silva era uma das que via seu barraco ser desmontado pela polícia na manhã do dia 5 de agosto. Com a ajuda dos vizinhos, ela conseguiu reerguer sua morada onde mora com a filha Ana Vitória, de um ano e quatro meses, e agora torce para conseguir um lugar melhor para se viver.