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10 letras que explicam a violência contínua no Acre PDF Imprimir E-mail
Por Adaílson Oliveira   
Ter, 10 de Novembro de 2009 18:23
Quixotesca, é a assim que vamos chamar a luta da Secretária de Segurança Pública contra a violência que assola o Acre nos últimos meses. Falar do quadro de crimes e delitos é fácil, resumindo, está um caos. Mas, se faz necessário explicar a palavra quixotesca. Podemos chamar de uma pessoa sonhadora, desligada da realidade. Tem ainda a síndrome quixotesca que é criar inimigos invisíveis. É esse o caminho que vem percorrendo a cúpula da Segurança Pública acreana.

Quixotesco vem de Dom Quixote de La Mancha, o livro de Miguel de Cervantes, onde narra as fantasias de Dom Quixote, um cavaleiro que sai em busca de imitar os grandes heróis, no entanto, tudo não passava de falsas realidades, como acreditar que moinhos de vento eram gigantes.

A secretária de segurança fala timidamente da violência no Estado, quando fala, sempre vem o discurso de que medidas estão sendo tomadas. Tudo não passa de uma paródia do real, como na vida de Dom Quixote.

A violência só aumenta, anos atrás, o noticiário jornalístico só chamava os "fora da lei" de marginais, agora, nem a polícia usa mais a palavra, atualmente, eles são "bandidos", não é porque o gênero esteja com erro, é porque bandido, dá uma noção de um "fora da lei" mais forte, violento e destemido. O marginal tinha medo da polícia, o bandido não. Eles matam policiais.

Nesta terça-feira (10) de novembro, os militares enterraram mais um colega de farda, o soldado Edvânio.

Este ano, nunca será esqucido pela PM,  os militares não vão ouvir as vozes nem as  brincadeiras do: Jucivan; do Josimar; do Fracisnato; o Moura e do Suelmo, todos foram mortos por tiros.

A "nossa" polícia militar está em choque, ou melhor, em xeque, mate. Não é oferecida a estrutura suficiente para um policiamento ostensivo, onde policiais estejam sempre presentes nas ruas. Os militares não contam com fardas, os coletes á prova de balas estão vencidos, as armas são antigas e raramente fazem treinamento de tiro. Chame a polícia militar, em determinadas horas, para crimes considerados de pequenas monta e verá o descaso.

Os quartéis no interior do Estado estão caindo. Em senador Guiomard quando vem a chuva, os militares ficam nas salas com os guarda-chuvas na mão, tantas são as goteiras.

Lá em cima o "estrelão" mostra imponência, principalmente pelo valor que lhe foi pago, em baixo parece o mundo de Dom Quixote. A polícia civil nem se fala. O diretor chegou a afirmar que tinha acabado o amadorismo, assim como Dom Quixote, tentou passar a imagem de um mundo novo, mas irreal.

Na verdade, nem eu que fui a uma academia de polícia, teria demorado tanto para encontrar o corpo do professor Marcos Afonso Soares. A vítima foi assassinada na própria casa, mas os delegados (3), não investigaram o local do crime. No portão de entrada da casa, estavam a arma, uma faca e ao lado o corpo do professor enterrado em cova rasa. A descoberta veio 5 dias depois do homicídio porque um dos matadores resolveu falar.

Quer mais: A delegacia do menor foi assaltada, os bandidos entraram,  espancaram os agentes, deixaram todos presos numa das celas e levaram as armas. A corregedoria de polícia também foi arrombada, e há 3 semanas, uma das novas motos foi levada pelos bandidos. O que pensar de uma polícia que deixou roubarem 15 armas, só este ano? Adivinha quem está armando os bandidos?

Enquanto tudo isso é colocado na mesa, o governador Binho Marques aparece nos jornais com Arnold Schwarzenegger, atual governador da Califórnia nos Estados Unidos e um campeão de bilheteria no cinema. Quem sabe o governador, o nosso, não está convidando o senhor ex-músculo para acabar com os bandidos no Acre, mas é melhor chamar também o Rambo, Dolph Lundgren e Steven Seagal,  por que a missão, parece impossível. Pena que o Charles Bronson morreu. O governador, o nosso age como se nós estivéssemos, num planeta, e ele, noutro.

A questão, é que a violência não pode ser depositada nas polícias. Os outros setores do Estado deveriam atuar para reduzir o número de pessoas que partem para a delinquência. Na maioria é pobre, desempregado, vive nas piores áreas da cidade e estatisticamente, tem a maior probabilidade de ir para a prisão que para a universidade.

Miguel de Cervantes colocou Dom Quixote de La Mancha como um sonhador, mas para criar limites, nessa fuga, criou um fiel escudeiro para o herói: Sancho Pança, que era mais realista, mas não menos desvirtuado, talvez falte para a Secretária de Segurança o Sancho Pança, para que os próximos capítulos sejam menos sangrentos.

Cuidado que tanta violência pode pesar na próxima eleição, a logosofia pode explicar.

 


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