Política

Empresários ignoram audiência pública sobre tarifa

Umarb contesta “discurso de prejuízo”

O movimento comunitário começou essa sexta-feira tentando chamar a atenção de quem passava pela Ponte Metálica. Com faixas e cartazes, o grupo tenta engrossar um movimento contrário ao reajuste da tarifa do transporte coletivo.

O manifesto só parou quando começou, na Câmara de Vereadores, uma audiência pública para discutir os números apresentados pelas empresas do transporte coletivo e a Câmara Técnica criada pela prefeitura.

Os empresários não compareceram à audiência pública. Partiu deles a proposta de R$ 4,55 pela tarifa. A Câmara Técnica composta pelas federações da indústria e comércio, conselhos regional de Engenharia e de Contabilidade e RBTrans apresentaram outra proposta de R$ 4,03.

Coube à direção da RBTrans mostrar aos vereadores e movimento comunitário como a Câmara Técnica chegou a esses valores.

Mas, a combinação de gráficos não convenceu quem é contra o reajuste. O vereador Roberto Duarte, autor da proposta de audiência pública, disse que os números apresentados, principalmente dos custos do sistema, não estão detalhados.

“São números generalizados. Na verdade, onde estão as provas que realmente gastaram todo aquele valor com combustível, com pneus ou com aluguéis de veículos? Esses dados não aparecerem. Por isso, não dá para confiar nas planilhas”, relatou.
A União das Associações de Moradores de Rio Branco criticou o aumento e principalmente a prefeitura. O diretor da entidade, Oséias Silva, explicou que todos os anos os empresários querem reajuste na tarifa e não oferecem nenhuma compensação com bom serviço ou benefícios.

“E ainda querem que as pessoas acreditem que trabalham com margem de prejuízo, quando, na verdade, elas têm lucro. Essas empresas não oferecem nada de mais para o usuário. Querem só ganhar mais”, disse.

Na audiência pública todas as pessoas puderam falar. A maioria que usou o microfone atacou o conselho tarifário e por tabela a prefeita Socorro Neri.
Mas todos os discursos parecem em vão. O conselho tarifário não mudou de ideia e na próxima semana vai colocar em votação as duas propostas: a dos empresários de R$ 4,55 e da Câmara Técnica de R$ 4,03.

Assim que o conselho escolher qual será o novo valor o projeto segue para prefeita, que tem o poder de decidir o novo valor. A previsão é que até 5 de junho o usuário do transporte coletivo comece a pagar uma nova tarifa.